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Desmontagem veicular e economia circular: como o setor de desmontes se tornou um mercado profissional

Desmontagem veicular e economia circular: como o setor de desmontes se tornou um mercado profissional

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Uma indústria que mudou de identidade

De “ferro-velho” a potência da economia mundial.

Durante muito tempo, falar em desmontagem de veículos era quase automaticamente pensar em veículos roubados, peças sem procedência, improviso e mercado clandestino.

E essa imagem não surgiu por acaso.

Durante anos, operações ilegais utilizaram a desmontagem como destino para veículos roubados e furtados, abastecendo um mercado paralelo de autopeças.

O problema é que essa realidade colocou dentro do mesmo rótulo dois mundos completamente diferentes:

O mercado clandestino e a empresa profissional, rastreável e regular.

Hoje, essa diferença está cada vez mais evidente. A legislação evoluiu, a fiscalização aumentou, a rastreabilidade ganhou espaço, a tecnologia entrou na operação e grandes players começaram a investir.

Aquilo que durante décadas foi associado apenas ao fim da vida de um veículo passou a ocupar um lugar estratégico dentro de uma das maiores transformações da indústria mundial: a economia circular.

O mercado precisava mudar

A regularização não acabou com o desmonte. Ela ajudou a construir um novo mercado.

A profissionalização dos desmontes não aconteceu apenas para organizar empresas. Ela também passou a atacar um problema histórico da segurança pública: o mercado ilegal de peças automotivas.

Quando origem, documentação, rastreabilidade e fiscalização entram na cadeia, fica mais difícil misturar uma empresa que trabalha legalmente com uma operação dedicada ao comércio de peças ilícitas.

E essa transformação não aparece apenas no discurso. Ela já foi medida.

A regulamentação foi associada à redução da subtração de veículos

Um estudo publicado em 2023 na revista acadêmica Tempo Social, da USP, analisou roubos e furtos de veículos em São Paulo entre 2003 e 2021.

Os pesquisadores identificaram 2014 como um ponto de inflexão e apontaram a implementação da chamada Lei do Desmanche como um dos fatores decisivos na redução da subtração de veículos observada no estado.

Em 2025, outro estudo chegou a números ainda mais objetivos

Uma pesquisa publicada no Journal of Development Economics avaliou o impacto da regulamentação paulista do mercado de autopeças.

0,00% redução média nos roubos e furtos de automóveis
0 ano da regulamentação analisada em São Paulo
0,00% redução estimada nos preços dos seguros no estudo
0 publicação no Journal of Development Economics

O estudo concluiu que maior monitoramento e regulação do mercado legal de autopeças aumentam o custo do comércio ilícito e podem funcionar como complemento às políticas tradicionais de segurança pública.

Estudo econômico internacional

Fonte: Journal of Development Economics, 2025

Um desmonte clandestino alimenta o problema. Um mercado profissional ajuda a separar o empresário sério da cadeia ilegal.

Quando a indústria entra, o mercado muda de patamar

Uma das maiores montadoras do mundo decidiu investir diretamente em desmontagem.

Em agosto de 2025, a Stellantis inaugurou em Osasco, São Paulo, o Centro de Desmontagem Veicular Circular AutoPeças.

Foi a primeira fabricante da América do Sul a investir em uma planta dedicada à desmontagem de veículos sinistrados ou em fim de vida dentro de uma estratégia de economia circular.

Centro de Desmontagem Veicular Circular AutoPeças da Stellantis em Osasco
Centro de Desmontagem Veicular Circular AutoPeças, em Osasco (SP). Fonte: Stellantis Media
R$ 13 mi investidos na implantação do centro
8 mil veículos por ano de capacidade projetada
150 postos de trabalho previstos
fabricante da América do Sul com planta dedicada
💬 Comentário Max

Pense no tamanho dessa transformação.

O que durante anos foi associado a improviso e informalidade, hoje recebe investimento industrial de uma das maiores empresas automotivas do planeta.

Aquilo que durante décadas foi visto por muita gente apenas como “ferro-velho” passou a receber investimento industrial, tecnologia, processos e estrutura.

Não como ação social.
Não como campanha publicitária.

Como modelo de negócio.

E os números começaram a provar que existe mercado

Em junho de 2026, menos de um ano depois da inauguração, a própria Stellantis divulgou os primeiros grandes resultados da operação.

1.000 veículos já desmontados
740 t de materiais recuperados para reaproveitamento e reciclagem
+8 mil peças comercializadas no mercado de reposição
50% das vendas realizadas pelo Mercado Livre

A operação também já disponibilizava milhares de peças multimarcas à pronta entrega, conectando desmontagem profissional, gestão de estoque e comércio eletrônico.

Em agosto de 2026, durante o ReciclaAuto, a Circular AutoPeças reforçou essa estratégia com novos canais digitais para ampliar a comercialização e distribuição de peças.

Ecossistema do novo desmonte

Hoje, o desmonte profissional conecta diferentes mercados.

O que antes podia parecer apenas um pátio passa a funcionar como um elo entre setores que movimentam toda a cadeia automotiva.

Indústria fabricantes e cadeia automotiva
Tecnologia sistemas, dados e rastreabilidade
Logística fluxo de peças e materiais
E-commerce peças alcançando novos mercados
Economia circular reutilização e recuperação de valor
o elo central Desmonte
profissional

O desmonte deixa de ser apenas o destino final de um veículo. Ele se torna um ponto de conexão dentro de todo o ecossistema automotivo.

O futuro já começou

O desmonte deixou de aparecer apenas no final da cadeia. Agora ele começa a influenciar o começo.

Durante décadas, a lógica da indústria automotiva foi praticamente linear: produzir, vender, utilizar e descartar.

A economia circular muda a pergunta: o que acontece com esse veículo e seus materiais quando ele deixa de circular?

É exatamente nessa transição que a desmontagem profissional ganha importância.

Motores, câmbios, componentes eletrônicos, aço, alumínio, plásticos e outros materiais não precisam perder todo o valor quando um veículo chega ao fim de sua vida útil.

Não é simplesmente destruir um veículo. É identificar o que ainda possui valor antes que tudo vire resíduo.

Até os veículos novos estão começando a ser pensados para serem desmontados

O Programa Mobilidade Verde e Inovação, o MOVER, passou a incluir a reciclabilidade entre os requisitos da política automotiva brasileira.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, os veículos devem ser projetados de maneira que facilite sua desmontagem e reciclagem ao final da vida útil.

01

Projeto para desmontagem

O fim da vida útil passa a ser considerado ainda na concepção do veículo.

02

Metas de reutilização

A reciclabilidade entra formalmente na política industrial automotiva.

03

Identificação de materiais

Componentes passam a receber requisitos relacionados à identificação e recuperação.

04

Manual de desmontagem

A desmontabilidade começa a fazer parte do ciclo de desenvolvimento automotivo.

💬 Comentário Max

Perceba o tamanho dessa virada.

Antes, o desmonte aparecia quando o veículo chegava ao fim. Agora, a capacidade de desmontar, reutilizar e reciclar começa a influenciar até a maneira como novos veículos são concebidos.

No Veículo Sustentável, a reciclabilidade virou critério objetivo

Entre os critérios definidos pelo governo está o mínimo de 80% de reciclabilidade ou reutilização dos materiais do veículo produzido em massa.

E o movimento continua evoluindo

Em junho de 2026, o Governo de Minas recebeu representantes da empresa japonesa Kaiho Sangyo para discutir um projeto de reciclagem veicular.

O encontro tratou de desmontagem, rastreabilidade, comercialização de componentes reutilizados, geração de empregos, inovação e economia circular.

Encontro sobre reciclagem e desmontagem veicular entre representantes de Minas Gerais e do Japão
Encontro sobre reciclagem veicular em Minas Gerais, junho de 2026. Fonte: Sede-MG

O próprio Governo de Minas destacou o potencial da reciclagem veicular para geração de valor econômico, empregos, inovação e desenvolvimento da economia circular.

Ontem, o desmonte aparecia apenas quando o veículo terminava. Hoje, a desmontagem começa a participar da estratégia de como a indústria pensa o veículo inteiro.
Um mercado que mudou de identidade

O setor que carregava um estigma agora pode carregar uma bandeira.

Economia circular

Recursos permanecem mais tempo dentro da economia.

Rastreabilidade

Peças e veículos passam a ter origem e controle.

Comércio digital

O estoque deixa de estar limitado ao pátio e pode alcançar consumidores em todo o país.

Profissionalização

Processos, tecnologia, gestão e estrutura entram definitivamente na operação.

O setor ainda enfrenta informalidade. Ainda existem operações clandestinas e empresas trabalhando fora das regras.

Mas justamente por isso é tão importante separar as duas realidades.

💬 Comentário Max

Um desmonte clandestino faz parte do problema. Um desmonte profissional, rastreável e regularizado pode fazer parte da solução.

E essa diferença importa. O setor evolui quando procedência, controle, rastreabilidade e profissionalização começam a separar quem constrói um negócio sério de quem continua operando à margem das regras.

O desmonte do futuro não se parece com o ferro-velho do passado

Procedência
Saber de onde vêm veículos e peças.
Rastreabilidade
Acompanhar a origem e o destino dos componentes.
Estrutura
Operar com processos técnicos e ambientais adequados.
Gestão
Estoque, documentação, tecnologia e vendas trabalhando juntos.

Durante muito tempo, o mercado enxergou apenas o veículo destruído.

Hoje começa a enxergar a peça que pode voltar ao mercado, o metal que pode ser reciclado, o resíduo que pode receber destino correto, o emprego que pode ser criado e o recurso que pode permanecer dentro da economia.

Um veículo pode chegar ao fim da vida. O valor dele, não.

O setor de desmontagem veicular mudou.

E tudo indica que ainda estamos apenas no começo do que ele pode se tornar.

💬 Comentário Max

Se o mercado evoluiu, a operação também precisa evoluir.

O próximo nível do setor não será ocupado apenas por quem sabe desmontar veículos. Será ocupado por empresas capazes de unir desmontagem, procedência, gestão, tecnologia e regularidade.

MaxSoluções

O mercado evoluiu. Sua empresa também pode evoluir.

A MaxSoluções atua na estruturação, adequação e regularização de empresas de desmontagem veicular.

Nossa equipe acompanha documentação, imóvel, estrutura, questões técnicas, ambientais, contábeis e as etapas necessárias para buscar o credenciamento.

Se você já atua com desmontagem, peças ou sucatas, o próximo passo pode ser transformar sua operação em uma empresa preparada para esse novo mercado.

Falar com um especialista da Max

Fontes e referências

Tempo Social, USP , “Lei do desmanche, PCC e mercados”.

Journal of Development Economics, 2025 , estudo sobre a regulamentação do mercado de autopeças.

Stellantis Media , inauguração do Centro de Desmontagem Veicular de Osasco.

Stellantis Media , resultados do Centro de Desmontagem, junho de 2026.

Programa MOVER, MDIC .

Governo de Minas Gerais , projeto de reciclagem veicular e cooperação internacional, 2026.

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